"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grite de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim
tem que ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda.."
Mário Quintana
domingo, 20 de fevereiro de 2011
"Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem.
Mas que me diga logo, pra que eu possa desocupar o coração.
Avisei que não dou mais nenhuma sinal de vida.
E não darei. Não é mais possível.
Não vou me alimentar de ilusões.
Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível
que estou só, do que ficar a mercê de visitas adiadas,
encontros transferidos..."
Caio F.
Mas que me diga logo, pra que eu possa desocupar o coração.
Avisei que não dou mais nenhuma sinal de vida.
E não darei. Não é mais possível.
Não vou me alimentar de ilusões.
Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível
que estou só, do que ficar a mercê de visitas adiadas,
encontros transferidos..."
Caio F.
" Meu coração estava grávido. Grávido de um coração de vazios. Grávido de um coração oco. Que viveu de quases. Quase amor, quase entrega, quase coragem, quase inteiro, quase ele mesmo. Quase. Meu coração grávido tudo viveu, tudo disse, tudo fez. Agora, não há mais nada. Nada a dizer, a fazer, nada a somar. Meu coração estava grávido de uma história só sua. Tentando em vão entrar num roteiro fechado. Grávido e solteiro. Meu coração estava grávido de um amor só meu. Não respirou outro ar, não bebeu de outro leite. Quase morreu á mingua. Mas era de si mesmo que o meu coração estava grávido. Meu coração pariu outro coração de mim mesma e agora está vazio. Mas é um vazio bom. Vazio de outro vazio, meu coração se enche de si. Vazio de prisões, meu coração está cheio de possibilidades. Eu o sinto vazio e quieto. Eu o sinto em paz."
Cris Guerra
Cris Guerra
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
E o que ainda não quero esquecer
era de quando nossos olhares curiosos,
disfarçavam o desejo, fazendo nossos rostos rubros.
Nossos copos vazios.
Eu sabia que você me observava.
Eu podia sentir, e ainda que minha atenção estivesse
presa em um bom livro ou em alguma viagem,
quando nada poderia me distrair, você me roubava os olhos.
E mesmo que, quem sabe, tudo tenha sido fruto do acaso,
daqueles dias que se acabam e nos fazem sentir quase como
figurantes, é dos cenários breves que mais me lembro.
Benditos foram todos os acasos! Toda a imprudência!
E a única maldição que carrego é a de poder lembrar,
mas agora ver, teus olhos fugindo de roubar os meus.
era de quando nossos olhares curiosos,
disfarçavam o desejo, fazendo nossos rostos rubros.
Nossos copos vazios.
Eu sabia que você me observava.
Eu podia sentir, e ainda que minha atenção estivesse
presa em um bom livro ou em alguma viagem,
quando nada poderia me distrair, você me roubava os olhos.
E mesmo que, quem sabe, tudo tenha sido fruto do acaso,
daqueles dias que se acabam e nos fazem sentir quase como
figurantes, é dos cenários breves que mais me lembro.
Benditos foram todos os acasos! Toda a imprudência!
E a única maldição que carrego é a de poder lembrar,
mas agora ver, teus olhos fugindo de roubar os meus.
Ele nunca saberia que sua breve passagem na vida daquela moça tinha sido devastadora.
Passagem cheia de música, de segredos, de arrepios.
Nada disso desde então seria a mesma coisa pra ela.
Não havia fotos, nem nenhuma lembrança senão a memória.
Mas o som da guitarra, agora, dilacerava sua alma.
O mais seguro seria não ouvir mais nada.
Passagem cheia de música, de segredos, de arrepios.
Nada disso desde então seria a mesma coisa pra ela.
Não havia fotos, nem nenhuma lembrança senão a memória.
Mas o som da guitarra, agora, dilacerava sua alma.
O mais seguro seria não ouvir mais nada.
O meu mundo não é como o dos outros,
quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede do infinito,
uma angústia constante que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade.. sei lá de quê!
[Florbela Espanca em "Cartas a Guido Battelli"]
quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede do infinito,
uma angústia constante que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade.. sei lá de quê!
[Florbela Espanca em "Cartas a Guido Battelli"]
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